“Ser mãe de uma criança especial é matar um urso por dia: o urso do preconceito, do medo, da curiosidade alheia, do julgamento de terceiros, mas não deixo esses ursos me impedirem de celebrar o amor que une a minha família”, diz Ruti, essa grande mãe de inspiração

Ruti é formada em Administração de Empresas e é uma supermãe que compartilha hoje conosco detalhes das muitas provas que já venceu. Ela nos conta que nada a realizou tanto quanto a maternidade.

“Sempre sonhei em ser mãe, mas os médicos me disseram ainda na adolescência que isso só seria possível com tratamentos. Porém, quando me casei, pedi a Deus que me concedesse o prazer da maternidade sem tratamentos, os quais poderiam levar anos. Através da oração, Ele me atendeu…”

A gestação de Ruti foi tranquila até o oitavo mês. Numa certa manhã, contudo, ela sentiu muitas dores de cabeça que levaram ao diagnóstico de pressão alta. Após 4 dias, essa mãe de milagres teve de fazer uma cesariana às pressas e foi submetida à anestesia geral. O médico acreditava que o bebê já estivesse morto e disse a ela e ao meu esposo que faria de tudo para trazê-la de volta, mas não era garantido.

“Sobrevivi ao parto, porém minha filha foi para UTI Neonatal, onde ficou durante 5 meses. Achei que a dor de sair do hospital sem meu bebê nos braços fosse a única dor intensa que sentiria. Acreditem, é uma dor sem tamanho, mas ainda sentiria dores maiores.”

Nesse período de internação, Ruti nos conta que houve diversos procedimentos cirúrgicos e alguns erros médicos também. Contando bem resumidamente, ela viu sua filha de uma maneira que nenhuma mãe deveria ver um filho. A bebê usou ao total de 13 drenos, teve o tórax e o abdômen abertos 2 vezes e ainda levou choque para voltar das mais de 10 paradas cardiorrespiratórias.

“Minha filha voltou dessa cirurgia com traqueostomia e com os médicos suspeitando que ela havia tido morte cerebral. Nesse dia, ainda ouvindo a médica me dizer o que estava acontecendo no centro cirúrgico, fechei meus olhos e disse a Deus: “Senhor, se for apenas minhas petições que estão segurando a Bianca aqui, se o Senhor não tiver um plano de vida para ela, leve-a, por favor, leve-a”. Esta sem dúvida foi a primeira oração difícil que fiz, pois, para o bem dela, eu abri mão do que eu desejava.”

Bianca voltou do centro cirúrgico, porém houve muitas complicações nos dias posteriores. Ela não reagia e só piorava. Isso fez com que Ruti, essa mulher de grande inspiração, fizesse uma campanha de oração e jejum, pois não aguentava mais ver sua filhinha daquele jeito. Ela nos conta que disse que Deus podia levar a Bianca se assim fosse a vontade Dele, mas que a levasse logo, pois já não suportava mais vê-la sofrer. Esta foi a segunda oração mais difícil que Ruti teve de fazer.

“Assim fizemos. Foi uma campanha de 3 dias com oração e jejum. A Bianca foi meu Isaque diante do altar de Deus. No último dia de campanha, o hospital me ligou dizendo que era para ir para lá urgentemente, pois iriam abri-la novamente. Naquele momento, eu entreguei meu jejum e disse: “Deus vai levá-la, e eu não posso fazer nada. Nem vou pedir para Ele não fazer isso. Eu disse que Ele podia levá-la e Ele vai fará isso hoje”. Fui para o hospital, autorizei a cirurgia e me despedi de minha filha. Mas Deus é tão lindo e tão bom que Ele a trouxe de volta e, depois dessa cirurgia, ela melhorou gradativamente até surpreender os médicos, os quais lhe deram alta. Sinto que Deus quis ver até onde ia a sinceridade de nossa oração e sou grata a Ele por tê-la deixado conosco.”

Bianca teve alta médica aos 5 meses de vida. Ruti e seu esposo foram para casa com ela, mas os problemas ainda eram grandes.

“De todas as experiências que tivemos em casa com ela, a mais marcante foi numa madrugada.  Mesmo estando com sonda para se alimentar e traqueo para respirar, a enfermeira que cuidava dela à noite nos chamou dizendo que a Bianca estava com dificuldade para respirar. Quando a peguei no colo, tentei aspirá-la (tirar a secreção que a impedia de respirar) e percebi que não era possível. O único lugar por onde ela respirava estava tampado. Tentamos oxigênio, inalação e, de repente, ela no meu colo ficou roxinha e fria. Já não respirava mais, não havia o que fazer, ela tinha ido… O que me lembro é de ela ter voltado a respirar do nada. Porém, meu esposo no outro dia me disse: “você viu o que Deus fez? Foi só você cantar e Ele a trouxe de volta”. Eu disse: “O quê? Eu não cantei nada”. Nesse momento, ele chamou a enfermeira e perguntou: Elen, o que aconteceu ontem à noite quando a Bianca já não respirava mais?”. A enfermeira respondeu: a Ruti começou a cantar aquela música que vocês ouvem aí no DVD e a Bia voltou.”

Ruti explica que ainda não se lembra de ter cantado para trazer sua filha de volta à vida, mas seu esposo e a enfermeira declaram sem vacilar que essa belíssima mãe começou a cantar um trecho do hino que diz: “Se o mar me submergir, a Sua mão me traz à tona para respirar e me faz andar sobre as águas”.

“Deus a fez respirar. Poderia fazer um livro aqui se fosse contar todos os milagres que vivemos, mas levaria muitas páginas. O que me faz vencer meus limites e minhas lutas diárias é saber que Deus está cuidando de nós. A Bianca é o meu motivo para continuar lutando. É ela quem me faz levantar a cada dia e acreditar que a vida vale a pena.”

Ruti é mulher que encanta, que comove, que luta, que enfrenta e que vence. Ela é mãe! Não apenas por ter dado à luz. É mãe mesmo.

“Sou aquela mãe que, se preciso for, deixo de respirar para que não falte ar para minha filha. Não desisto na primeira resposta negativa, mas sempre procuro o lado bom da situação. Sei que tenho muito o que melhorar, pois sou muito autocrítica, cobro muito de mim mesma. Tento carregar o mundo nas costas excedendo meus limites e tenho medo de demonstrar meus medos.”

Ela afirma que mostra Deus em sua vida ao agradecê-lo por tudo o que Ele fez e faz em sua vida e ao não reclamar das lutas, mas fazendo delas experiências para mães e mulheres que passam pela mesma situação que ela passou.

Para finalizar, Ruti nos declara com beleza mais do que suficiente para fazer poesia:

“O que torna minha filha ainda mais especial não é sua limitação física e neurológica, é o amor de Deus para com ela. Este amor a torna uma criança feliz e risonha.”

Por Erika de Souza Bueno
Blog Olhar de Mulher
https://olhardemulher.wordpress.com
E-mail: consultoria.erikabueno@gmail.com

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s