Dou uma de elegante, mas me atrapalho toda…

Eu estava toda linda e me sentindo maravilhosa dentro de um determinado banco quando, ao sair, não me dei conta de que a possível saída era, na verdade, uma porta de vidro. Não deu outra. Como sempre estou apressada e como para mim não existia nada entre o interior e o exterior do banco, bati violentamente a cabeça nela, a qual balançou e fez a gentileza de fazer um barulho tão forte que chamou a atenção dos demais clientes e funcionários. Ainda querendo manter o que restava de uma possível elegância, disfarcei e saí delicadamente, deixando para esfregar a testa dolorida bem longe dali.

Em viagem de trabalho certa vez, desembarquei na rodoviária de um determinado município e percebi que a mala havia ficado presa na porta do ônibus. Como sou uma mulher muito fina e elegante, achei inconveniente gritar para o motorista reabrir a porta, mas não tive nenhum problema em tentar retirar minha bagagem a partir do emprego frenético de muita força. Ufa, ainda bem que as pessoas gritaram por mim, o que fez o motorista se atentar para o que estava acontecendo.

Não sou mãe, mas já contei (juro!) 10 vezes em que pessoas gentis dentro de ônibus ofereçam seus lugares a mim, acreditando em se tratar de mais uma gestante. Lembro-me do arrependimento instantâneo que senti por ter devorado os bombons no dia anterior e também por ter comido tantos bolinhos de chuva deliciosos. Em meio a delicados agradecimentos pelo gesto amável dessas pessoas, nunca vou me esquecer de que isso chamava a atenção de todos dentro do pequeno ambiente, que pareciam completamente desacreditados sobre o que eu afirmava com tanta ênfase. Bom, você já deve ter percebido a razão de eu ter o maior bloqueio/trauma em relação a (digamos) curvas abdominais.

Na terceira e última vez que tentei passar na prova prática da habilitação para carros (como já era o terceiro fracasso), saí chorando altamente no meio de uma praça movimentada, sem dar a mínima para quem estava me olhando de modo assustado. Nunca vou me conformar por saber dirigir tão bem teoricamente, mas não conseguir compreender como se faz para encaixar um carro enorme numa pequena baliza.

Sou mesmo assim. Vivo cada momento com muita intensidade. Para mim, se não for para se entregar para valer não tem graça, não tem sentido. Não sou de viver na superfície, gosto mesmo é de mergulhar.

Minha vida tem dessas coisas e de muito mais. Bom, já chorei após comer mais do que devia, já dei todo meu lanche a cachorros e gatos de rua (faço isso até hoje), já tive medo de sonhar e já tive tempo de parar com isso, já tropiquei muito na rua, já tive o desprazer de voltar para casa sem os sapatos porque eles estragaram na longa estrada da vida… Já vivi muito, mas ainda anseio viver muitíssimo mais. De tudo o que vi na vida, aprendi que viver é uma grande aventura que precisa ser experimentada com vivacidade, com inteireza. Entre tantas aprendizagens que tenho somado dia a dia, uma delas que é conveniente à questão aqui tratada é a de aprender a rir à toa, de aprender a rir dessas bobagens. Mais do que isso, aprendi a transformar em conhecimento as peripécias vividas por mim. A vida passa muito rapidamente. O que realmente importa não é a característica da roupa ou de um comportamento refinado. Não, de modo algum. O que vale de verdade é viver com dignidade, com ternura e com fraternidade. O resto passa e cansa, somente o amor pelo próximo faz a vida realmente valer a pena.

Por Erika de Souza Bueno
Blog Olhar de Mulher
https://olhardemulher.wordpress.com
E-mail: consultoria.erikabueno@gmail.com

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