Para dar o direito de suas filhas serem criadas juntamente ao pai, Marcielen desejou sacrificar a própria felicidade. Não deu certo e ela teve de pagar o alto preço da desobediência

Quando Marcielen tinha 17 anos, conheceu um rapaz de 22, filho de pastor, também nascido no berço evangélico. Eles namoraram escondido e, após alguns meses, ela engravidou. Como seu pai sempre foi muito sistemático, Marcielen fugiu, mas quando ele soube da notícia, seu pai chorou e pediu para conversar com ela. Ela e seu namorado foram conversar com ele, mas seu pai o expulsou de casa e brigou muito com ela.

“Foi uma briga muito feia, que eu nunca havia visto. Meu pai disse que a partir daquele momento eu não era mais a filha dele e que eu ia criar a criança sozinha. Ele disse que não ia mais pastorear e que Deus iria cobrar de mim isso, pois eu era culpada.”

Contudo, Marcielen permaneceu em casa, vendo seu pai passar dias sem falar com ela e trancado no quarto. Nesse momento, essa linda jovem não queria mais ver o pai da criança. Um dia, seu pai teve um sonho, no qual havia uma menininha querendo atravessar a Dutra. Como havia muitos carros passando e só havia ele para ajudá-la, seu pai passou a entender que ele iria criar a menina que Marcielen estava esperando.

“Foi quando ele mandou chamar o pai da criança e os tios, que também eram pastores, para uma conversa em casa. Ele disse que aceitava o namoro, mas que a gente não precisava casar de imediato porque casamento era algo sério e que a gente precisava se conhecer primeiro. Disse que muitos da igreja iriam começar a me olhar e a me tratar diferente, mas não era para eu me entristecer com isso. Quando o pai da criança foi embora, meu pai me disse que o pouco que ele conversou com ele já deu para perceber que não era um bom rapaz e que não seria um bom marido. A impressão que o pai da criança passou era de um lobo vestido de ovelha.”

Apesar das advertências de seu pai, Marcielen estava apaixonada e acabou se casando com o pai de sua filha.

“Quando a Bya fez 6 meses, era tudo muito bom, vivíamos felizes e abrimos uma vidraçaria. Eu ficava na recepção, administração e marketing, e ele ficava nas compras, instalações e montagens. Éramos uma bênção na igreja, o pastor abriu uma subcongregação em um bairro carente e nos colocou para ajudar lá. Meu marido pregava, ficava na porta, ajudávamos em tudo. Apesar disso, meu pai nunca se deu bem com ele. Quando fizemos 3 anos de casados, a Lívia, minha caçulinha, nasceu. Aí tudo começou a ficar ruim. Fiquei de licença-maternidade uns meses e perdi totalmente o acesso da vidraçaria. Ele começou a chegar muito tarde em casa, chegava às dez da noite, meia-noite, uma hora da manhã e cada dia mais tarde. Ele dizia que ficava fazendo instalações até tarde. Como eu confiava nele eu acreditava, ele começou a faltar nos cultos e a não querer ir mais à igreja, dizia que estava cansado. Meu marido também começou a ficar agressivo, começamos a brigar muito constantemente.”

As brigas continuaram até o dia que Marcielen descobriu uma traição, que foi perdoada porque ela ainda o amava muito e também porque não queria perder sua família. Ela sabia que o diabo estava tentando de tudo e, por isso, orava, fazia campanha, confiava que Deus iria mudar seu marido. Contudo, o tempo foi mostrando quem ele realmente era. Seu marido foi se transformando negativamente a cada dia, momento em que mais uma traição foi descoberta.

“Um dia, eu descobri que ele estava me traindo com uma prostituta. Brigamos e ele me agrediu, mas o perdoei novamente, pois eu queria mesmo que minhas filhas fossem criadas ao lado do pai, mesmo que isso custasse a minha felicidade. Além disso, sempre confiei que Deus o mudaria.”

Depois de todos esses tristes episódios, ela começou a trabalhar em outro lugar. Como tinha uma rotina de trabalho muito extensa e sempre chegava em casa muito tarde, um dia descobriu que seu marido também chegava tarde porque, na verdade, ele estava frequentando uma balada.

“Nesse dia, eu não fui trabalhar. Saí de casa, dei um tempinho na rua e voltei para casa porque eu queria pegá-lo no flagra. Quando eu cheguei em casa, ele estava na mesa com um outro jovem. Por mais incrível que pareça, eles estavam montando pinos de cocaína para venderem.”

Ela viu seu chão desabar naquele momento. Ficou sem saber se gritava, se chorava, se eu ia para cima dele ou se eu saía correndo. Seu marido estava com drogas dentro de sua casa! Na casa em que suas filhas moravam!

“Aí, ele juntou tudo e saiu com o rapaz, voltou umas 6 da manhã em estado de muita ansiedade. Ele estava drogado, brigamos e ele me agrediu. Ele confessou que tinha levado uma mulher para nossa casa enquanto eu estava trabalhando. Aí, eu não aguentando mais aquela situação, liguei para meu pai e pedi para ele ir me buscar. Quando meu pai chegou, eu corri, o abracei e chorei. Juntei minhas coisas e fui embora. Fiquei uns meses na casa dos meus pais, mas acabei voltando com meu marido, pois ele disse que havia mudado e que estava arrependido.”

Nas primeiras semanas do retorno ao seu lar, Marcielen nos conta que tudo ia muito bem. Entretanto, pouco tempo depois, seu marido começou a vender as coisas de casa para comprar drogas. Ela relata que quando não tinha mais o que vender, ele vinha para cima dela e a ameaçava para que ela desse seu dinheiro a ele.

“Um dia, depois de muito custo, eu o convenci a se internar. Eu pagava R$ 350,00 por mês para a clínica e toda semana eu tinha que levar guloseimas de café da manhã e da tarde para ele, além de coisas de higiene pessoal. Eu também tinha que pagava o aluguel de casa, as contas, mas eu fazia de bom coração porque confiava que Deus mudaria toda aquela situação. Ele ficou internado por uns meses, aí eu juntei dinheiro e abri uma nova vidraçaria.”

Quando seu marido saiu da clínica de recuperação, eles foram trabalhar juntos novamente, mas bastou um mês para que tudo de ruim recomeçava novamente. Ela descobriu outra traição e brigaram dentro da vidraçaria que ela havia aberto para recomeçar a vida ao lado dele.

“Ele me jogou em cima dos vidros, até hoje tenho a marca dos pontos que levei no dedo. Depois, ele me colocou para fora da vidraçaria. Como fui à casa dos meus pais novamente, meu pai me disse que eu precisava tomar uma decisão definitiva. Ele me levou até nosso pastor-presidente, pois já estava acompanhando o caso há tempo. Chegando lá, ele me disse que, como pastor, ele não podia me aconselhar a divorciar, mas diante de toda aquela situação de agressão e traições, de acordo com a bíblia, eu podia me divorciar, sim. Fui à casa dos meus pais, me tranquei no quarto e não queria mais sair. Abandonei meu serviço e só ficava trancada lá, não queria comer, não queria fazer mais nada. Eu chorava e questionava com Deus o porquê de tudo aquilo, já que sempre orei, confiei e Ele não fez nada para mudar minha situação. Perguntava se Ele não existia, mas no fundo eu sabia que Ele existe! Eu sabia que Ele estava ali.”

Marcielen ficou no seu quarto por dias. Um dia, ela saiu de lá e foi procurar algo para ler, momento em que achou um livro no quarto do seu irmão. O livro era “O SONHO DE JOSÉ”, escrito pelo pastor Marcos Feliciano.

“Eu comecei a ler o livro oito horas da noite e o terminei  às quatro horas da manhã. Eu chorei desde o início do livro até o fim. Quando terminei, dobrei meus joelhos e orei, mas não com palavras, mas com gemidos e lágrimas. Fui dormir e, no dia seguinte, acordei disposta como se tivesse saído um peso de minhas costas. Liguei para minha chefe e voltei a trabalhar.”

Essa mulher guerreira então decide se divorciar, mas quando efetuou o pedido ao seu marido, ele foi em casa por três vezes tentar matá-la.

“Ele estava drogado e irreconhecível. Tentou entrar, chegou a erguer o portão que é de basculante, mas não conseguiu. Quebrou os vidros do carro do meu irmão que estava na calçada e foi embora. Ele me ameaçou novamente. Então, meu pai contratou dois seguranças para passar algumas noites em casa. Depois disso, ele sumiu, só apareceu no dia que fomos assinar o divórcio. Após a assinatura, ele sumiu novamente, isso vai fazer 3 anos.”

Uma etapa da vida de Marcielen havia terminado em meio a muito sofrimento por ter escrito sua história longe dos ensinamentos da Palavra de Deus, por ter tentado e insistido em uma vida escrita a seu único modo.

“Fiquei dois anos e meio sozinha. Nesse tempo, o diabo colocava coisas na minha cabeça, ele dizia que eu nuca ia ser feliz porque pequei, desobedeci e que eu iria carregar isso para o resto da vida como uma maldição que eu plantei. O diabo dizia que nenhum homem ia me querer porque eu tinha duas filhas, colocava as coisas na minha mente a ponto de eu, deitada no meu quarto, chorar e ter vontade de gritar. Eu chorava em silêncio, mas no fundo eu confiava em Deus e sabia que Ele tinha o melhor para mim, que mesmo eu tendo errado, Ele não me abandonaria.”

Marcielen saía para trabalhar, conversava com suas amigas, dava risada e se distraía, mas quando entrava no seu quarto, os pensamentos recomeçavam e os fazia chorar. Mas ela sempre confiou em Deus.

“Quando eu orava, eu pedia a Deus um homem, e hoje Ele me deu um exatamente do jeito que eu pedi. Ele já pensa em casamento, faz planos comigo, se dá muito bem com meu pai, meu pai gosta muito dele. Digo que fomos feitos um para o outro.”

Hoje, essa mulher é feliz de um jeito que nunca havia sido até agora. Ela sabe que Deus tem muita coisa a fazer ainda por ela, pois sabe que, diferente do ser humano, Deus também ama e perdoa seus erros. Marcielen é nossa mulher de inspiração por não ter desistido de si e de sua família, por ter lutado pensando mais em suas filhas do que em si própria, por sempre confiar em Deus apesar de circunstâncias de dor.

Por Erika de Souza Bueno
Blog Olhar de Mulher
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E-mail: consultoria.erikabueno@gmail.com

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