Enquanto houver vida, haverá semeadura

Nada do que se faz é jogado num vazio, que se perderá. Muito diferente disso, a ação ou até mesmo a não reação são implacáveis e certamente vão gerar resultados.

O que acontece é que estamos acostumados à omissão. Quando o problema não nos envolve diretamente, somos incapazes de mover uma palha para ajudar o outro. Os tidos como bonzinhos não são aqueles que praticam o bem, e sim aqueles que simplesmente não fazem nada de errado. Que bobagem. Às vezes, a omissão é tão cruel quanto à maldade.

Somos, sim, bons julgadores. Isso sabemos fazer muito bem. Chega a ser impressionante como conseguimos achar culpados para tudo o que de ruim acontece na vida dos outros. Mal nos damos conta do quanto somos imaturos, do quanto somos mesquinhos, do quanto somos superficiais.

Aconselho a leitura de Bertolt Brecht. Ele escreve um alerta em primeira pessoa dizendo que enquanto levaram os negros, os operários, os miseráveis e os desempregados, quem não se encaixava nesses perfis não esboçou a menor reação. Porém, ao chegar a sua vez de ser levado, não encontrou para si nenhuma ajuda, dado que não a ofereceu quando a necessidade se apresentou na vida das outras pessoas.

Parece-me bastante evidente que estamos vivendo um ciclo do mal. Não ajudamos o outro porque julgamos que ninguém nos ajudou quando precisamos e, com isso, deixamos mesmo de acreditar no bem. O grande problema disso é uma vida terrena vazia de real significado e uma eternidade repleta de desamor, de desordem e de pouco caso.

É preciso “cairmos na real” porque a inércia não nos poupará do dia mau. Viver é atividade incessante de semeadura. Querendo sim ou querendo não, estou falando que viver trata-se de lançar mesmo as sementes na terra, sejam elas boas ou ruins (inclui-se aqui a negligência).

Isso tudo é muito sério porque, quando semeamos, estamos falando de algo pequeno, de sementinhas. Contudo, elas não ficam assim para sempre, mas crescem e podem ganhar proporções que poderão nos dar, sim, muito trabalho e dor de cabeça.

Enquanto ainda há tempo, é prudente limparmos a terra dos nossos corações e nos aquecer para ajudar quem precisa, quem sofre, bem como nos alegrar quando o outro está bem, quando está ainda mais feliz e melhor do que nós mesmos.

Isso sim é semeadura inteligente. Isso sim tem fundamento para esperar coisas boas da vida. Agora, deixar largadas em qualquer canto dentro de nós as sementes do “não estou nem aí porque não é nada comigo” sem dúvidas é inconsequência. Viver requer sabedoria e esta não vive fechada dentro de si. Ela olha do lado, vê quem precisa e estende a mão porque sabe que somos pó e, de igual modo àquele que hoje sofre, podemos também necessitar de apoio, de ajuda, de amor fraterno.

Por Erika de Souza Bueno
Blog Olhar de Mulher
https://olhardemulher.wordpress.com
E-mail: consultoria.erikabueno@gmail.com

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